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Tive o prazer de conhecer os gregos Plastic Flowers quando, numa noite bastante tenebrosa e chuvosa de inverno, se uniram aos saudosos SAUR para trazer música calorosa e inebriante ao Primeiro Andar do Ateneu, bem no centro da capital. Estavam no início de uma tour que aqui os trazia antes de os levar a passear pelo norte do país, à boleia da Cakes and Tapes, e seguiriam então para os Estados Unidos, onde viriam a actuar um pouco por toda a costa este, com especial ênfase para a presença no SXSW.

O simpático Diogo, responsável na altura pela promotora e exímio descobridor destas bandas que ninguém conhece até toda a gente conhecer, tinha-me incumbido de os receber e fazer sentir em casa. Lembro-me de lhes pagar uma cerveja, de fazer a associação óbvia com a crise económica de ambos os países, o nosso e o deles, a reboque das intervenções do FMI e das preocupações políticas que invadiam o espaço público, até porque acontecia uma greve de transportes públicos nesse preciso dia. 

Lembro-me também de os achar rapazes ansiosos mas afáveis, nervosos e formais, mas com aquele brilho nos olhos de quem tem muito a mostrar e poucas inibições para o fazer. Entusiasmados pela primeira tour internacional, e com o terceiro EP na bagagem, lançado um mês antes, fizeram a muito bem composta sala de gente resfriada e molhada esquecer o Inverno que lá fora atacava, para nos mostrar um pouco da ambiência da costa veraneante e dreamlike grega.

Faz sentido relembrar esta passagem pois o novo [2013] e quarto registo, "Evergreen", foi imaginado nos tempos mortos desta tour, em aviões, comboios e autocaravanas, e gravado nos meses seguintes entre o Londres e Atenas. A experiência terá abrido horizontes e feito explodir a criatividade do duo, resultando numa fluidez muito orgânica, sensível e natural. A introversão das experiências anteriores dá lugar neste trabalho a uma abertura de notas e harmonias, a uma nova alegria que não lhes reconhecíamos tão imediatamente, agarrando a vertente dream-pop com mais força. 

Como o próprio nome indica, este é então um LP optimista e bem-disposto. Regista o amadurecimento dos gregos e o que de potencialmente melhor o lo-fi tem na construção do ambiente. Um registo muito menos lânguido e arrastado do que esperariam aqueles que os ouviram há sete ou oito meses em Lisboa, sem que se perca a identidade de uma banda que se demarca pela construção de camadas de ruído de grande profundidade e sensibilidade sonoras.

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