Não sou fã nem apologista da expressão "é já hoje que".
Não tenho qualquer formação em línguas, para além daquele workshop de escrita criativa que completei certa vez durante dois fins-de-semana há demasiado tempo atrás e da parca experiência que tenho em sexo oral, referencialmente desajeitada, mas tenho tanto de amador como de amante da prosa, e sou dedicado o suficiente para que o vazio sem sentido de certas expressões como a acima referida me façam perder o interesse de imediato, nem mesmo se o prólogo seja "se concretiza o dia mundial sem soutien". Em todo o caso, no dia em que tal se realizar, tenho mais interesse em sair imediatamente de casa do que ficar a ler sobre o assunto.
Não obstante o parágrafo acima, o cerne da questão é que hoje é mesmo o dia, e a razão da sua importância é o lançamento de um novo álbum por parte dos nova-iorquinos Elysian Fields, intitulado "For House Cats and Sea Fans", ou para quem não consiga discernir o norte-americano, "para gatos caseiros e apreciadores do mar". E calha eu pertencer a um destes campos.
A banda composta pela sensualíssima Jennifer Charles e pelo talentoso multi-intrumentalista Oren Bloedow atingirá no ano vindouro a bonita marca de vinte anos de carreira, vinte anos esses repletos do mais sinuoso e sedutor noir rock alguma vez ouvido e sentido, vinte anos com os olhos semicerrados, o dente no lábio e o coração palpitante.
A progressão sonora da banda, discutivelmente despercebida fora da sua cidade natal mas por obra do acaso tão bem recebida por terras mediterrâneas, quiçá pelo clima temperado, desenvolve-se de forma selvagem pela provocação e pela insinuação, através da subtileza, da poesia, e do alongar por faixas que ora nos fazem suar de tamanha sensualidade, carregados pela arrebatadora delicadeza da voz de Charles sobre os instrumentais tensos e envolventes de Bloedow, ora nos arrastam pelo peso da emoção e o embalo da vida.
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