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No longínquo ano de 2011 surgiu nas redes sociais uma publicação que expunha uma das promotoras com maior poder e visibilidade no nosso país — e cujo nome não convém mencionar, pois é a Everything Is New — por esta colocar em causa o valor e o estatuto da música portuguesa e dos seus artistas. Numa animada troca de e-mails, a promotora em questão oferecia valores irrisórios e condições questionáveis para participação no ato de abertura de bandas internacionais, e reagia com indignação a respostas de negociação, inferindo que o contacto não seria mais que mera caridade.

Embora sem consequências para a empresa, para além de uma onda de indignação que durou tanto como a minha atenção a ver um episódio de Friends, a banda que sofreu este tratamento acabou por conseguir transformar um episódio de péssima memória num ponto positivo de viragem, beneficiando da visibilidade que inadvertidamente haviam ganho para expor o seu talento e música e ajudar a alavancar a sua carreira. 

São eles os Evols, ruidosa banda de Vila do Conde que conseguimos equiparar à Comboios de Portugal, numa qualquer viagem noturna e soturna em que estendemos as pernas pelos bancos vazios sem conseguir distinguir o que se passa lá fora, e entre o cansaço e a apatia uma nebulina difusa e pendular se instala e nos leva numa viagem que nos rompe o âmago. Um shoegaze psicadélico áspero mas delicado, que cria formas e ambiências nas janelas a cada nova rajada, e nos embala num emaranhado belo e confortável até abrirmos os olhos e termos percorrido todo o álbum em menos de nada, acordados pela senhora da limpeza na estação terminal.

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