A ainda curta narrativa de Sequin, a mais recente e cintilante pérola do cenário musical independente, interliga-se estruturalmente com a de Jibóia, o encantador de serpentes com farto bigode e ainda mais insinuante sonoridade, temperada de especiarias. Ao festival de salsicha que aprendemos a reconhecer de forma próxima ao coração como colectivo Coronado, juntou-se o deleitante sorriso e cristalizada voz de Ana Miró, pela porta do projecto a solo do Óscar Silva. Desta muito natural simbiose resultaram viciante portento sonoros como "Tuareg", discutivelmente a música do Verão de 2012, que tantas filas pirilau e abanos de anca veio provocar.
A Miró é uma alentejana de gema com raízes na música e no canto lírico desde muito nova. Não nos devia surpreender por isso a sua notável experiência ou a facilidade com que nos veio arrebatar, por entre os meandros com que afinal cresceu. O que espanta ao fim ao cabo é a sua voz refinada e a sua presença assertiva e sorridente, afinal verdadeiros cunhos da garota com ar afável que se solta completamente a partir da primeira nota, da primeira batida. Era apenas uma questão de tempo, sabíamo-lo todos os que a viam então, até que os concursos ganhos com os Ballis Band ou o estatuto de sidekick de Jibóia se tornassem demasiado pequenos para a identidade que estava por assumir.
Um ano volvido desde que primeiro ouvimos a intoxicante "Beijing", música tórrida cuja audição repetimos de forma incessante desde então, aguardamos com expectativa à promessa do lançamento do álbum a solo e em nome próprio de Sequin, querendo mais e mais das histórias a que dá voz e da dream pop delicodoce e vibrante que tanto nos seduz.
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